O Galego necessita umha nova estratégia de defesa que pivote sobre a construçom nacional, a auto-organizaçom e a luita social

 

A nossa língua em situaçom limite

Mais um ano, celebramos umha manifestaçom nacional em defesa do Galego que estará lastrada por 3 carências que já som recorrentes: 1ª o seu caráter ritual e inofensivo, porque carece de enquadramento numha estratégia visível e rumada a ganhar o conflito lingüístico; 2ª a pulsom eleitoralista e excludente na sua gestaçom que a impulsiona e, por último, e sobretodo, 3ª a inexistência dumha estratégia nacional de salvamento do Galego que permita enquadrar atos esporádicos como este e centenas de projetos e esforços voluntaristas numha direçom comum e ativar o povo galego para a tarefa que só ele pode executar: conquistar a hegemonia social do Galego.

Estas insuficiências objetivas da prática de defesa do idioma contrastam com o fato de o processo de susbtituiçom lingüística avançar nestes 40 anos a umha velocidade muito superior à dos cinco séculos anteriores. Os mais recentes estudos sócio-lingüísticos e a diária percepçom partilhada por milhares de galegas e galegas assim o constatam. O regime autonómico demonstrou um poder destrutivo incomparavelmente superior ao de todos os que o precedérom para levar ao zénite a Doma y Castración del Reino de Galicia.

 Este exitoso processo, que combinou e combina a imposiçom do complexo de inferioridade, a degradaçom estrutural e o desprestígio do idioma e a sua substituiçom progressiva, preanuncia a rutura da transmissom inter-geracional normalizada do Galego e situaçons de minorizaçom que afetam particularmente a mocidade e comprometem o futuro.

O que já perspetivamos é a possível culminaçom em 2 ou 3 geraçons do processo de substituiçom lingüística. Dizemo-lo sem pessimismo, com plena vontade de luita e resistência, mas cientes da gravidade da situaçom.

Responsabilidades externas

O processo que fai com que um povo odeie e renuncie à sua língua, logrando que maes e pais transmitam vergonha e negaçom aos seus filhos e filhas, é inimaginável sem aplicar umha violência externa, estrutural e prolongada no tempo e no espaço por quem procura tal objetivo.

 Nestes 40 anos, esta tendência deu saltos qualitativos importantes. O debilitamento planificado da base económica e material da naçom graças às políticas de Bruxelas e Madrid, a concentraçom do povo galego nos grandes núcleos urbanos onde o espanhol é hegemónico e os efeitos da inércia nunca combatida que perpetua o auto-ódio e o sentimento de inferioridade figérom o seu trabalho à perfeiçom.

Cumpre recordar, aliás, a cumplicidade ativa da administraçom regional surgida da Constituiçom espanhola que, embora careceu de capacidade política para invertir o processo, utilizou os limitados recursos de que dispujo para, numha primeira fase folclorista, facilitar a morte lenta do Galego e, numha segunda, decididamente proativa, comprometer-se na sua eliminaçom. Queremos Galego e a Mesa pola Normalizaçom Lingüística denunciárom com profusom estas políticas.

Responsabilidades internas

 A responsabilidade de a nossa se tornar umha língua minorizada no regime atual nom é apenas do inimigo histórico. A decisom que adopta progressivamente o nacionalismo galego hegemónico no sentido de minimizar o tensionamento do conflito lingüístico -em paralelo à sua crescente integraçom no quadro institucional- também tivo os seus efeitos para que chegássemos como povo ao cenário atual.

Assim, a assunçom de conceçons legalistas e institucionalistas como saída principal ou exclusiva para o Galego, a burocratizaçom de parte da auto-organizaçom popular construida para a defesa da língua e a credulidade na ideia falsa de que o marco autonómico e as suas leis permitiriam, por sim soas, proteger o idioma, estám na base do resultado atual.

Assumir como horizonte num contexto colonial a armadilha do bilingüísmo harmónico e a retórica das percentagens e os “direitos individuais”, ou procurar consensos impossíveis com os inimigos do Galego, fôrom práticas que desarmárom e abocárom à passividade a maioria dos agentes sociais destinados a impulsionar, e ganhar, este conflito. A eleiçom lingüística individual nunca é “livre” num povo submetido por séculos ao adoutrinamento teórico e fático na sua infra-valorizaçom e o despreço para a sua própria língua.

Urge correger o rumo

Apesar da crudeza da situaçom, o setor politicamente dominante no movimento pola hegemonia social do Galego segue lastrado por velhas e inúteis conceçons. Em 8 de fevereiro de 2009, a Mesa pola Normalización Lingüística equivocava-se de inimigos ao “condenar” publicamente através do seu presidente Carlos Callón as pessoas que contestaram a mobilizaçom supremacista de GB. Em 2015, o BNG da viragem soberanista demonstra que segue preso do binómio exclusivo entre leis e presença institucional como receita para o idioma: a recente tentativa de elevar a rango de lei o fracassado Plano de Normalización Lingüística, com ser positiva, depende afinal da vontade de PP e PSOE e aparece como a única via à que se aferra o nacionalismo galego hegemónico como soluçom. A bola da normalizaçom fica no telhado de quem a rechaçam.

Esta prática normalizadora centrada em pedichar o cumprimento das leis favoráveis ao Galego a umhas instituiçons geridas por elementos supremacistas, para além de reduzir o movimento normalizador a umha posiçom de expetador passivo, ou constrange-lo à condiçom de “votante” e desativar a sua auto-organizaçom e capacidade de luita e pressom, situa em maos do espanholismo a responsabilidade histórica da que só este povo é depositário.

Os limites desta estratégia fam-se ainda mais sangrantes se trazemos em conta o processo em curso de recentralizaçom do Estado e o fato de o nacionalismo político afrontar um outro processo paralelo de minorizaçom da sua presença institucional. Se a expetativa de salvar o Galego desde estas instituiçons já era ilusa no passado, perpetuá-la quando se reduzem as possibilidades de hegemonia institucional alcança tintes de suicídio.

 Agora, equivocam-se de novo quem acham que esta situaçom trágica é devida principalmente às políticas da administraçom colonial de Núñez Feijoó (PP), ou ao “fracasso” da Junta da Galiza em matéria idiomática: nem o sucesso da substituiçom se deve em essência ao amigo do narco Marcial Dorado, apesar do seu demonstrado compromisso neste sentido, nem a Junta fracassa, porque em realidade alcança o seu objetivo como administraçom colonial. Como complemento necessário do quadro, resenhar a atitude historicamente “antipolítica” e pinheirista de instituiçons como a RAG e o ILG, que dérom alojamento e privilégios aos setores pequeno-burgueses culturalistas em troca de silêncio e passividade.

Propostas genéricaspara umha nova estratégia

Urgem soluçons e estratégias coletivas novas, de país, capazes de comprometer setores diversos e ativar o capital humano da naçom à margem de calendários eleitorais e interesses partidários.

Achamos que a estratégia para avançar face a hegemonia social do Galego deve conjugar necessariamente termos como construçom nacional, auto-organizaçom, conflito, mobilizaçom, pressom social e, em última instáncia, se nom queremos limitar a luita a um resistencialismo eterno, a superaçom do atual quadro jurídico-politico e a constituiçom do nosso próprio Estado com plena capacidade normativa para decidir sobre o Galego. A fase longa de resistência que garanta a supervivência deverá dar passagem a umha outra de hegemonia, que só é fatível com estruturas estatais. A diferença do que sugirem os culturalismos de todas as cores, a supervivência da língua e o desenvolvimento exitoso do processo independentista som inseparáveis.

Assim, com interesse patriótico,  propomos aos agentes sociais, sindicais e políticos comprometidos com a língua nacional e às galegas e galegos em geral as seguintes 8 linhas mestras dumha estratégia nacional de salvamento do Galego:

1. Elaboraçom por parte dos agentes sociais, sindicais e políticos comprometidos com a língua dum Plano Estratégico Nacional para a Hegemonia Social do Galego que, liberado de calendários eleitorais e pivotando sobre a auto-organizaçom, a mobilizaçom e a pressom social, coloque o povo galego como principal ativo na defesa da língua.

2. Um tensionamento multifacético e pedagógico do conflito lingüístico que contribua para a tomada de consciência sobre a situaçom do Galego nas faixas mais novas da populaçom e na sociedade em geral.

3. A potencializaçom das iniciativas de auto-organizaçom social rumadas à defesa, valorizaçom, promoçom e socializaçom do Galego como garantia da sua supervivência e normalizaçom.

4. O reforço da mobilizaçom social períodica, com objetivos concretos e taxáveis em distintas frentes, como instrumento para a extensom do conflito e a conquista de avanços

5. Galego e português som a mesma língua. A estratégia deve concretar este fato, implementando as fases necessárias, analisando e tratando as resistências sociais existentes ao mesmo e trazendo em conta que as vantagens inerentes à projeçom internacional do Galego, com mais de 250 milions de falantes e oficial em 12 Estados, som insuficientes, por si próprias, em ausência de auto-organizaçom e consciencializaçom social, para recuperar o nosso idioma.

6. A integraçom da Galiza na CPLP e internacionalizaçom do nosso conflito, em especial, nos países de língua galego-portuguesa. Pressom social para a aplicaçom efetiva da Lei Valentim Paz Andrade.

7. A reivindicaçom dum Estado próprio como instrumento capaz de implementar as políticas e os recursos necessários para a recuperaçom integral do idioma, refugando a visom pinheirista presente tanto em formulaçons isolacionistas como reintegracionistas que separam idealmente as perspetivas de futuro do Galego da situaçom e o estátus político e sócio-económico do país.


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