Auto-organizadas, empoderadas e levantadas!

 

As mulheres galegas saimos hoje para as ruas denunciar e enfrentar o regime patriarcal e a permanente violência que sofremos polo simples facto de sermos mulheres. Umha violência irredutível ao aspeto mais espetacularizado -o feminicídio- que impregna toda a nossa quotidianeidade na vida social, laboral, política e familiar.

 

Assim, somos na Galiza quem cobramos salários 22% mais baixos do que os homes por desempenharmos idênticos trabalhos; percebemos pensons contributivas e nom-contributivas inferiores, recebendo, de média, 346 euros mensais menos nas primeiras e sendo destinatárias de 78% das segundas; trabalhamos com mais frequència a jornada parcial e somos afetadas em maior medida pola precarizaçom do mercado laboral e a aplicaçom dos ERE.

 

Se esta descriçom panorámica nom fosse suficientemente convincente, deveriamos engadir a presença constante do domínio patriarcal no trabalho e fora dele, com violência estrutural e simbólica que se traduz na acossa sexual, a feminizaçom do empobrecimento, a imposiçom e socializaçom de cánons de beleza castrantes com as suas patologias associadas, a mercantilizaçom dos nossos corpos -prostituiçons, bandulhos de aluguer, etc.-, o tratamento como “simples aprendizes” em qualquer ámbito da vida social (desporto, artes, letras e ciências, etc.), ou o submetimento permanente a umha continua culpabilizaçom e valorizaçom à baixa das nossas pessoas.

 

Nada temos que perder quando nos auto-organizamos, empoderamos e levantamos contra o regime patriarcal. Mas queremos e devemos fazê-lo nas condiçons concretas do nosso País, Galiza, umha naçom submetida historicamente a relaçons de dependência colonial polo Estado espanhol que deterioram as condiçons de trabalho e existência de homes e mulheres e agravam a exploraçom patriarcal.

 

Romper a dependência colonial através do processo independentista é parte inseparável da nossa liberaçom como mulheres. Dizemo-lo alto e claro: aspiramos à plena deconstruçom do patriarcado através através do empoderamento e luita quotidiana das mulheres, mas, para além desta estratégia de resistência, desejamos constituir um Estado galego comprometido com políticas feministas e implicado na deconstruçom do patriarcado.

 

Quando a Audiencia Nacional ditaminou em dezembro passado o retorno de Causa Galiza para a condiçom de organizaçom política legal, o primeiro passo que demos foi constituir a Área de Feminismo que trabalhasse a partir de agora para engarçar a luita feminista com a de liberaçom nacional. A aposta é firme: intervirmos em todos os espaços onde se fragua o futuro do nosso Povo e, como mulheres, de maneira direta e de maneira transversal, sermos um sujeito ativo para tornarmos conflituosa e insustentável e, finalmente, erradicar da nossa Terra a violência machista.