Causa Galiza chama o povo galego a reclamar a independência nacional neste Dia da Pátria

 

Após a tentativa fracassada do passado 17 de junho para celebrar um Dia da Pátria unitário junto a BNG e Anova, onde se reivindicasse com claridade a independência nacional como única saída possível para a nossa soberania política, Causa Galiza ativou a sua própria convocatória de campanha e manifestaçom independentista, que é a primeiro que celebramos após a recuperaçom da condiçom de organizaçom política legal.

INTERVENÇOM PARA O DIA DA PÁTRIA

Companheiras e companheiros:

Bom dia a todas e todos,

Damos a bem-vinda a todas as mulheres e os homes que desde distintos pontos do País e, incluso, retornando do exílio laboral forçoso, vinhestes hoje a Compostela para participardes nesta manifestaçom pola independência nacional da nossa pátria. Temos a certeza de que este tesom e esta capacidade de resistência que nos caraterizam como povo som os melhores recursos para enfrentar um presente difícil e construir o futuro de dignidade que necessitamos com urgência.

A funçom desta comunicaçom nom será fazer umha análise minuciosa da realidade atual do País, nem debulhar as tendências que preanunciam o seu futuro. Conhecemos ambas e vivemo-las dia após dia como para que seja necessário repeti-las.

Como independentistas, sabemos que a condiçom principal e imprescindível para podermos enfrentar com garantias e superar o atual estado de pauperizaçom, espólio e assimilaçom que suporta a Galiza, é ganharmos da independência nacional materializada na construçom do nosso próprio Estado ao serviço da maioria dos galegos e galegas.

Esta perspetiva semelha monumental quando se parte da posiçom atual de minorizaçom social do independentismo e quando a centralidade do tabueiro nacionalista é ocupada por forças que carecem de vocaçom e estratégia ruturista e apostam, na prática, à hora da verdade, na via morta da reforma do modelo autonómico e na democratizaçom do Estado.

O processo catalám demonstrou e está a demonstrar empiricamente várias questons que já conheciamos e som de máximo interesse para quem pretendemos perfilar o nosso próprio processo independentista:

A primeira, e fundamental, é que a velha perspetiva dumha elevaçom continuada do teito competencial autonómico através de periódicas reformas estatutárias com a que, em décadas passadas, sonhavam muitos nacionalistas, para além de insuficiente, fai parte já da política-fiçom. Se esse caminho foi inviável em Catalunha, com umha maioria social, política e institucional que o sustentava, só podemos concluir que o será ainda mais na Galiza, com umha correlaçom de forças muito mais desfavorável. O quadro autonómico atual está morto e esgotado, como já se afirma hoje incluso desde setores nom nacionalistas, mas, sobretodo, o que está definitivamente superado é a perspetiva que pretendia avançar face a soberania nacional através de periódicas reformas estatutárias. O que está definitivamente em crise é procurar qualquer tipo de “encaixe cómodo” da Galiza no Estado espanhol.

A segunda liçom que se tira do processo catalám é que a democratizaçom do Estado espanhol, no sentido de este reconhecer a nossa condiçom nacional e o direito de autodeterminaçom, é também umha fantasia, porque nom existe a nível estatal a correlaçom de forças necessária para desenvolver tal processo e, sobretodo, e por cima de todo, porque o reconhecimento por parte de Espanha do direito de autodeterminaçom da Galiza, Euskal Herria e os Països Cataláns suporia algo impossível: que a oligarquia espanhola acetasse destruir a sua principal ferramenta política e económica, que é o Estado unitário espanhol servil aos seus interesses.

O processo catalám demonstrou, por último, algo que também sabiamos e foi negado historicamente desde distintas óticas: a única possibilidade de concreçom da soberania política da Galiza é a independência nacional e, dado que som inexistentes as vias legais para alcançá-la, o processo independentista apenas será viável a partir da acumulaçom de forças e o conflito político que possibilitem dar passos por vias necessariamente unilaterais e ilegais.

Temos, portanto, um país rico em recursos e possibilidades cuja gente padece historicamente altíssimos níveis de desemprego, precariedade e emigraçom, espólio do seu território e laminaçom da sua identidade. É o paradoxo dum povo empobrecido que habita umha Terra rica em potencialidades.

Temos, também, umha perspetiva resolutiva: a independência nacional, com a máxima capacidade de decisom e ao serviço da maioria social. E partimos dumha correlaçom de forças desfavorável, em que a cifra de galegas e galegos favoráveis a soltar amarras com Espanha, embora se encontra hoje em máximos históricos, é ainda minoritária e deve desenvolver o músculo necessário para construir um conflito político com o Estado espanhol que nos permita avançar face a independência.

A tarefa imediata para os independentistas galegos e galegas é, agora, organizarmo-nos, dotarmo-nos dumha estratégia concreta, com objetivos e fases intermédias, superar a tendência suicida à atomizaçom e o conflito endogámico e oferecer umha perspetiva de rutura com Espanha que ganhe o reconhecimento e o apoio ativo e crescente dos setores mais avançados do nosso povo.

Neste cenário que estamos a perfilar, com tarefas urgentes a resolver que som materializáveis dentro da legalidade, a repressom quere jogar um papel político de primeira ordem. O seu objetivo atual nom é combater, como asseguram a Guardia Civil, a Audiencia Nacional e os meios informativos ao seu serviço, um inexistente embriom de violência política organizada. O seu objetivo é impossibilitar a construçom e consolidaçom na Galiza dum projeto político e dumha estratégia independentistas que articulem esse emergente estado de opiniom. O seu objetivo é encerrar-nos no círculo vicioso em que a principal atividade do independentismo seja a denúncia da repressom e a solidariedade com retaliados e retaliadas.

É por isso que, hoje, o Estado espanhol pretende envolver a militáncia independentista numha política de excecionalidade policial, penal e mediática. É por isso que sanciona com desorbitadas condenas de prisom a compatriotas em juízos políticos carentes de garantias jurídicas e é por isso que se produzem sucessivas montagens da chamada Operación Jaro, cuja reediçom nom é desbotável no futuro.

Desde aqui, queremos dizer hoje, alto e claro, a quem nos arrincam das casas de madrugada a ponta de metralheta, a quem dam as ordens e a quem continuam a deter independentistas galegas e galegos em montagens policiais e judiciais impensáveis num Estado com umhas mínimas garantias jurídicas, que temos a firme determinaçom de seguir a trabalhar na legalidade como independentistas, de dotar o nosso País dum projeto e umha estratégia de liberaçom nacional, pesar a quem pesar e sejam quais forem os obstáculos que se nos coloquem ao avanço.

Com a humildade de quem conhece as suas forças, mas, também, com a firmeza de quem olha para o horizonte sabendo aonde quere chegar, queremos hoje fazer pública e propor-vos a implicaçom ativa numha folha de rota de urgência de cuja execuçom podamos ser examinadas e examinados nesta mesma praça no próximo Dia da Pátria.

Esta folha de rota marca três tarefas principais e imediatas: a primeira, a consolidaçom organizativa de Causa Galiza, que é o germe do futuro projeto independentista que necessita este País; a segunda, o desenvolvimento dumha intervençom sócio-política sistemática e planificada, que integre progressivamente a atuaçom municipal e convirta este projeto num agente referencial para o povo galego e a terceira, por último, a posta a ponto da estratégia independentista para as próximas décadas. Nada de teoricismo abstrato. Nada de elucubraçom: clarificaçom coletiva da folha de rota, objetivos imediatos e perspetiva a longo prazo.

Nada disto que vimos de formular é fatível sem a participaçom ativa de centenas de independentistas galegas e galegos. O Independentismo Galego, companheiras e companheiros, nom surgiu neste País para ser o Pepito Grillo de ninguém. O Independentismo Galego nom surgiu para construir remansos de pureza imaginária, ou habitar prazidamente as margens da realidade. O Independentismo Galego nem sequer existe para resistir, ou fazer frente à repressom: nascemos e existimos para construir os meios e as condiçons que nos permitam liberar esta naçom do jugo espanhol.

Causa Galiza ativará no próximo curso político esta folha de rota que acabamos de esboçar. É a que estamos a desenvolver desde que recuperamos a condiçom de organizaçom política legal. Solicitamos-vos, encarecidamente, o compromisso, a militáncia e os braços de todas e todos vós para que este projeto de combate pola liberaçom nacional e social do nosso País se consolide e desenvolva.

Pouco mais temos que dizer. Hoje, como há 98 anos, quando um reduzido grupo de mulheres e homes decidia nesta cidade celebrar por primeira vez o nosso dia nacional, mantemos intata a vontade de viver num país livre e de fazer os esforços coletivos necessários para alcançar a nossa independência.

Viva Galiza ceive!

Viva o Dia da Pátria!

Denantes Mortos Que Escravos!

 

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