Causa Galiza anima a participar na marcha popular para o desmantelamento de ENCE

Desmantelar as factorias instaladas por Ence-Elnosa nas rias de Ponte Vedra e Návia é um objetivo fulcral numha perspetiva de combate à industrializaçom colonial que suportamos, com sinistros efeitos sócio-económicos e ambientais, fechados consensos mediáticos que blindam os interesses e estratégias da pasteira e o servilismo cúmplice de administraçons e governos.

Hoje, existe umha oportunidade para este objetivo: o Governo espanhol pode decretar a caducidade da concessom de Elnosa e interromper a atividade. Aliás, o PSOE anunciou que no caso de chegar ao Governo espanhol anularia a prórroga de 60 anos concedida a ENCE polo PP em 2016. Agora, embora a credibilidade deste partido é nula, tem um compromisso cujo cumprimento deve ser exigido com persistente pressom social.

Eucalitizaçom e lume

A continuidade de ENCE em Louriçám e Návia nom é só um problema comarcal, mas um repto sócio-económico e ambiental como país, pois a transnacional orienta a política florestal galega e é, hoje, um agente de primeira ordem na destruçom do rural através da apropriaçom de terras, a eucalitizaçom maciça e a economia do lume que provoca.

A indústria celulósica precisa superfícies crescentes de terra para expandir as plantaçons florestais que produzem a sua matéria prima. Dado que trabalha em economia de escala, para ser competitiva aumenta constantemente a capacidade das fábricas, reduz os custos de produçom e reclama apoios institucionais e mediáticos por volta das suas estratégias e necessidades.

Esta perspetiva fai com que ENCE devore a cada mais território para produzir madeira barata de eucalipto que lhe permita colocar a celulose no mercado internacional a preços competitivos com a procedente de América do Sul. Galiza joga este papel produtor no esquema comercial com a expansom irracional da monocultura do eucalipto e, colateralmente, dos incêndios.

Destruiçom do rural

Hoje, ENCE aposta no setor elétrico através das centrais de biomassa, incrementando simultaneamente a produçom de celulose em Louriçám e Návia. É neste quadro que se deve interpretar a expansom incontrolada do Eucalyptus nitens na Galiza para lograr uns níveis de produçom que superem a demanda existente e controlar os preços à baixa.

Este procsso coincide com a crise dos preços do leite e o feche de exploraçons lácteas. Os terrenos destas últimas som imediatamente florestados de jeito ilegal com eucalipto que ENCE e viveiros particulares se encarregam de colocar. Enquanto, a administraçom autonómica, que é cúmplice direta do processo, do lobby da madeira e do setor da silvicultura industrial, olha para umha outra parte.

Desemprego e emigraçom

Esta dinámica aniquila nom só outras alternativas silvícolas no monte, mas a própria base produtiva em terrenos com vocaçom agrícola e gadeira, depauperando ainda mais o rural ao serviço da transnacional e forçando milhares de galegas e galegas a adotarem a opçom da emigraçom porque o desenvolvimento económico endógeno é menos competitivo por falta de dimensionamento produtivo e integraçom industrial.

Hoje, pois, o repto social, económico e ambiental que implica expulsar ENCE de Louriçám e Návia nom afeta apenas à proteçom da paisagem, a conservaçom da biodiversidade ou a prevençom dos incêndios: estamos perante umha ameaça direta ao debilitado sistema produtivo do nosso rural, das condiçons de vida de dezenas de milhares de pessoas e de boa parte dos traços que nos caraterizam como povo.

Opçons

A imediata é multiplicar a mobilizaçom para desmantelar o complexo aproveitando as oportunidades atuais e participar nas Comunidades de Montes com políticas que avancem em sentido contrário. Além do resistencialismo, só umha administraçom autonómica ou um Estado galego determinados a mudar a dinámica atual podem vencer a inércia atual. A diferença de outras matérias, o quadro competencial vigente oferta opçons neste sentido.

A blindagem e diversificaçom da base produtiva do rural galego é fatível pois a partir de ferramentas de intervençom pública: Banca Pública, agência de investimentos florestais, banco de terras, etc. que permitam compensar as dinámicas destrutivas dum mercado tomado polo oligopólio celulósico com a cumplicidade histórica e presente da administraçom autonómica e da administraçom estatal espanhola.