Causa Galiza chama a massa social independentista a votar no BNG nas Eleiçons Gerais de 10 de novembro

A organizaçom independentista Causa Galiza, perante a crise que vive o regime espanhol de 1978, as suas previsíveis evoluçons negativas a curto e meio prazo, a desfavorável correlaçom de forças existente entre soberanismo e unionismo na Galiza e o cenário imediato da convocatória de novas Eleiçons Gerais no Reino de Espanha para 10 de novembro, acorda solicitar aos independentistas galegos e galegas o voto tático e massivo no BNG.

A decisom adotada, que reincide na posiçom mantida em abril e racha com a tradicional posiçom abstencionista do Independentismo Galego em convocatórias eleitorais de âmbito estatal, pivota sobre 10 reflexons que submetemos à avaliaçom crítica dos galegos e galegas que hoje configuram o que é, provávelmente, apesar da sua inorganicidade e da inexistência dum projeto e estratégia partilhados, o corpo social independentista mais amplo, plural e vigoroso da história recente da Galiza:

1. Encontramo-nos, como produto da crise mundial do capitalismo, das específicas características que esta adota no Estado espanhol e do processo independentista catalám, perante a crise mais importante do regime instaurado na Galiza desde a reforma cosmética do franquismo em 1978. O exercício do direito de autodeterminaçom das naçons sem Estado que componhem o Reino de Espanha evidencia ser o calcanhar de Aquiles deste regime político.

2. O IBEX 35 traçou como via de saída a este cenário crítico um processo de pauperizaçom e precarizaçom social, involuiçom democrática geral, aumento da repressom e minimizaçom da descentralizaçom administrativa de 1978 que se representa politicamente por PP, Ciudadanos e Vox e o PSOE. A possibilidade dumha Grosse Koalition à espanhola entre os principais partidos do regime, ou dumha coligaçom de direitas fascistas e filofascistas, é umha provabilidade imediata para estabilizar o regime e dar continuidade ao neofranquismo para um novo ciclo histórico.

3. A convocatória eleitoral de 10 de novembro é o momento que decantará as opçons possíveis. A extrema direita espanhola e o PSOE defendem um modelo de Estado substancialmente idêntico nas questons nucleares: negaçom do direito de autodeterminaçom, unidade jurídico-política, economia de mercado, integraçom na UE, defesa dos interesses do IBEX 35, etc. Assim o evidenciam a sua unidade de açom na reforma do art. 135 da Constituiçom espanhola, a aplicaçom do art. 155 contra a Catalunya, a sentença contra a dirigência do processo catalám, a salvagem repressom desatada polo PSOE na Catalunya, os anunciados recortes à liberdade de expressom nas redes, a disposiçom do PSOE para aplicar a Ley de Seguridad Nacional contra o processo de autodeterminaçom catalám, etc. Todos estes factos demonstram até que ponto este partido espanhol é um piar do atual regime político e do modelo de Estado.

4. A instauraçom dum Executivo espanhol filofascista, ou dumha Grosse Koalition entre PP, PSOE e outros partidos auxiliares, que conte com umha sólida maioria parlamentar e legitimidade formal para impor o programa de máximos da oligarquia —agravamento generalizado das condiçons de vida, recentralizaçom, incremento da repressom e maiores níveis de exploraçom da classe trabalhadora— é um horizonte mais do que provável. De umha ótica galega, a perspectiva da permanente instabilidade política do Estado e o seu condicioniamento por forças nacionalistas e independentistas é a opçom preferível. A máxima Quanto pior, melhor é aqui desacertada: que o Estado espanhol dê o salto da integraçom de sectores fascistas nos seus principais aparatos à sua hegemonia legitimada nas urnas, ou à Grosse Koalition, ambos com vocaçom de eliminar qualquer resto de formalismo democrático, é a pior opçom imaginável e, na medida das possibilidades e capacidades, deve combater-se.

5. Causa Galiza carece hoje da capacidade para articular a sua própria proposta na frente eleitoral e institucional e contribuir, assim, junto a outras opçons rupturistas, para alargar e agudizar a crise do regime também na instáncia parlamentar. Este impedimento insuperável a curto prazo força a elegir entre outras opçons desde a premissa de que a presença parlamentar de opçons nacionalistas e, em especial, independentistas, é o único fator capaz de represar no imediato o desenho de máximos da burguesia. A fortaleza quantitativa da presença parlamentar nacionalista e independentista no Congresso espanhol pode colocar a autodeterminaçom no centro do debate, agudizar a crise, visibilizar Galiza como naçom com as consequências que isto tem sobre a autoestima nacional e, incluso, bloquear a governabilidade e abrir novas janelas de oportunidade. As recentes propostas da extrema direita espanhola para ilegalizar as organizaçons independentistas e elevar as percentagens de voto necessárias para estas acederem às instituiçons nom som apenas soflamas para a desputa do voto fascista: som o programa do IBEX 35 e indicam a sua plena disposiçom para minimizar, ainda mais, os elementos de democracia formal.

6. Básicamente, as opçons reais e imediatas som duas: a abstençom ou o voto tático num projeto político —o do BNG— com o que sustentamos importantes diferenças nas concepçons táticas e na perspectiva estratégica.

7. Desbotamos o abstencionismo. A afirmaçom categórica de princípios sobre a natureza do atual regime espanhol e os limites insalváveis da democracia burguesa é, por si soa, em ausência dum movimento rupturista com incidência de massa e estratégia própria, inútil para condicionar a evoluiçom da situaçom: o regime é capaz de executar os seus planos sob níveis gritantes de ilegitimidade democrática e queda da participaçom eleitoral. Veja-se o acontecido em Euskal Herria com a ilegalizaçom do independentisimo. Aliás, os próprios sectores populares que poderiam sustentar esta aposta estám conscientes de que o bloqueio do regime a curto prazo nom se conjura com um abstencionismo auto-referencial de consumo interno.

8. O voto no BNG, com as contradiçons que implica para quem rechaçamos a perspectiva inviável da melhora autonómica e da democratizaçom do Estado espanhol que, de facto, defende esta formaçom, aparece como a opçom tática mais acertada entre as possíveis. Esta petiçom nom é um assentimento à linha da atual dirigência nacionalista, ou a procura de integraçom num projeto que à margem de retóricas ocasionais aposta as suas cartas na gestom do regime autonómico e numha democratizaçom do Estado espanhol cuja viabilidade nega ao tempo que reclama, que carece de estratégia rupturista e que está rumado a reclamar um melhor trato de Espanha —orçamentos, competências, infraestruturas, etc.— que é incompatível com o status colonial e contrasta abertamente com a emergência dum estado de opiniom independentista nas suas próprias bases militantes.

9. Temos a conviçom de que a mera presença parlamentar de deputados e deputadas politicamente galegas em Madrid, por si soa, em ausência dumha estratégia independentista sobre o terreno, é incapaz de alterar no mais mínimo o nosso histórico status colonial. Nom pretendemos enganar à gente nem vender ilusionismo eleitoral: com a humildade de quem conhece a dimensom atual das suas forças, olhamos com preocupaçom a persistência da dirigência nacionalista nas suas históricas posiçons reformistas, o sobredimensionamento eleitoralista das possibilidades do parlamentarismo e a negativa insistente a assumir a decantaçom independentista que exige o status colonial e a maduraçom política e ideológica do corpo social nacionalista.

10. A nossa aposta segue a ser a construçom dum movimento independentista forte, com imbricaçom social, que conjugue a luita ideológica, institucional e de massa, que se articule por volta dum projeto político amplo e plural sob um mínimo denominador comum rupturista. Este é o sentido do Processo Trevinca, de actualizaçom de diagnoses e estratégia, que estamos a desenvolver na base social independentista para possibilitar o alargamento da consciência nacional e da consciència independentista do povo, o seu empoderamento nacional e a construçom dumha correlaçom de forças que, no futuro, abra as portas à ruptura unilateral e irreversível com o Reino de Espanha como única soluçom democrática possível à situaçom atual.

Lançamos esta proposta à massa social independentista galega à vez que reclamamos a liberdade para todos os independentistas galegos presos e presas, o arquivo definitivo da causa aberta contra doze militantes na Audiencia Nacional após 4 anos da Operación Jaro e o fim da excecionalidade repressiva que o Estado espanhol aplica ao Independentismo Galego desde o minuto zero do regime de 1978.

Viva Galiza ceive!
Denantes mort@s que escrav@s!

Na Terra, em 7 de novembro de 2019