Publicamos o discurso de Causa Galiza no Dia da Pátria

Anexamos a continuaçom o discurso que leu na praça do Toural a nossa porta-voz nacional, Cris Rodrigues, como remate da campanha e a manifestaçom independentistas do Dia da Pátria que nesta ediçom se celebrárom sob as condiçons extraordinárias que impujo a situaçom de emergência sanitária.

Discurso do Dia da Pátria

Este 25 de julho é, sem dúvida, um dos mais estranhos que lembramos em anos. A meio dumha pandemia que nos acompanhará ainda durante um tempo indefinido, e que já está a provocar umha crise que, como sempre, tratarám de fazer-no-la pagar às de sempre.

A pouco que estivéssemos atentas aos meios de comunicaçom do regime, podemos dar-nos conta de que pretendem. Só há que lembrar as conferências de imprensa para dar conta da situaçom sanitária, cheias de uniformes militares, que nos preparavam para o que pouco mais tarde encontraríamos nas ruas. Todo um despregamento militar nas nossas vilas e cidades, enquanto desde os hospitais se denunciava a falta de pessoal sanitário e de meios para proteger-se e para salvar as vidas das pessoas enfermas. Nas residências a situaçom era dantesca e as autoridades sanitárias deixavam morrer as nossas maiores.

Esta é a sanidade pública que querem o Governo espanhol e Feijóo para a Galiza. Feijóo, o mesmo que fecha o paritório de Verim e priva o povo galego dos serviços mínimos imprescindíveis para garantir umha vida digna.

Também tratárom de comprar as simpatias da gente com as doaçons milionárias do senhor Ortega, esmola para umha sanidade pública ferida de morte. Amancio Ortega, trabalhador e empresário modelo, feito por si mesmo a costa das vidas das pessoas às que escraviza ao longo do mundo e da evasom fiscal. Enquanto a cara deste personagem ocupava as capas dos jornais e monopolizava horas nos seus programas e informativos, a classe trabalhadora, explorada, precarizada, permitiu que a vida seguisse. Trabalhadoras da limpeza, trabalhadoras dos supermercados, trabalhadoras domésticas, cuidadoras, assistentas… as pior tratadas, as pior pagadas, as precárias, as invisibilizadas. As imprescindíveis.

E nom podemos esquecer o interesse em converter-nos em polícias de varanda, depositando em nós a sua responsabilidade. Queriam "chivatas" nas janelas, enquanto nos interiores das casas as denúncias por violência machista aumentárom em 60%.

Mas houvo quem obedeceu porque o ordenava o Governo mais progressista do mundo. O mesmo que nom derroga a reforma laboral, nem a Lei de Amnistía, nem a lei mordaça, nem a lei Montoro, nem a reforma fiscal progressiva, nem o artigo 135 da Constituiçom. O mesmo que aumenta gastos militares e desbota qualquer nacionalizaçom de setores estratégicos ou a banca pública.

Eles, que arrodeárom ontem o centro social Escárnio e Maldizer, para impedir que alumassem de novo os fachos da Rondalha polas ruas de Compostela.

Eles, que querem resignificar o seu sanguento trapo "rojigualda" como um estandarte de progresso, e que depois se abraiam do medre da extrema direita.

Nom! Nem esse é o nosso Governo nem o Borbom corrupto é o nosso rei. Nem queremos pactos autonomistas, nem arelamos postos em administraçons castradas. Nom somos o culturalismo inteletualista que nom se dá xebrado da cadeia colonial. Nós somos o fio vermelho que tece a história silenciada deste país. Umha história de luita e resistência.

Somos Faraldo, com umha pistola em cada mão, à frente do Exército galego na batalha de Oroso.

Somos a Rosalia rebelde e feminista que resiste a deturpaçom.

Somos Fuco Gomes e o Comité Arredista da Havana sentenciando independência ou morte em 1921.

Somos os obreiros que assaltárom o Governo Civil de Ourense e o Concelho de Compostela para proclamar a 1ª República Galega em 1931.

Nom somos Risco nem Figueira Valverde: somos Joám Jesus Gonçales e todos os mártires da Uniom Socialista Galega. Os nossos primeiros mortos pola independência e o socialismo.

Somos todas as mulheres sem nome que alimentárom à guerrilha antifascista mais prolongada de Europa: a nossa.

Somos Vigo e Ferrol, ardendo em Estado de Sitio em 1972.

Somos a UPG independentista e armada de Moncho Reboiras.

Somos Jove, Baldaio e as Encrovas em pé de guerra.

Somos as presas independentistas, que representam a dignidade deste povo.

Somos os trabalhadores de Alcoa, as sanitárias de Verim, somos a vizinhança contra as eólicas em Ordes.

Somos a resistência antifascista em cada vila deste país.

Somos as 12 da Jaro, somos a organizaçom ilegalizada que guinda esperança em assembleias abertas no Processo Trevinca.

Somos aquelas que seguimos a berrar viva Galiza ceive!