Posiçom geral de Causa Galiza perante a sindemia da COVID-19

Num cenário complexo e inçado de incertezas como o atual, onde se estende a percepçom social do desnorte e a ineficácia da gestom da crise epidemiológica e sanitária e a única segurança é a iminência dumha crise económica e sociolaboral de dimensons desconhecidas, Causa Galiza quer submeter à avaliaçom da sociedade as seguintes análises e opinions:

1. A situaçom atual é caraterizável como de sindemia, isto é, a problemática a enfrentar já nom se restringe só a umha grave crise epidemiológica e sanitária: esta interatua, agudiza-se com e retroalimenta a crise socioeconómica, laboral e política pre-existente. Só desde esta visom integrada é possível definir umha saída socialmente justa à crise que evite umha deterioraçom maior da saúde pública e a degradaçom das condiçons materiais de vida da maioria.

2. A gestom da segunda vaga carece dumha estratégia identificável, que é substituida por medidas efetistas, ensaios à procura de acerto ou erro e exibiçons de força para simular um controlo inexistente da situaçom. O espetáculo dos contágios nas residências da CAG delata até que ponto chega a incapacidade institucional para garantir a saúde pública das pessoas mais vulneráveis mesmo em espaços restritos. Como guia geral de atuaçom optou-se pola convivência da produçom com o vírus em vez de adotar medidas rumadas a erradicá-lo definitivamente e evitar um mais do que provável ciclo de confinamentos e desconfinamentos locais, comarcais, sectoriais e domiciliários que saturará o sistema sanitário e terá efeitos sicossociais e socioeconómicos destrutivos. Neste quadro geral, responsabilizar a gente pola evoluiçom da pandemia e, em especial, a juventude, revela a indigência moral das autoridades e a procura de chivos expiatórios para velar a própria incapacidade e justificar umha gestom cujos resultados estám à vista.

3. Evidencia-se, na nossa opiniom, o submetimento total do Governo espanhol aos ditados dos poderes fáticos na gestom da crise e, em especial, ao poder empresarial, que em última instância orienta as decisons gerais sob critérios mais dividores da rendibilidade económica imediata e a contençom da queda do PIB e a dívida do que dos relativos à proteçom da saúde pública. Se isto foi manifesto na primeira vaga, com empresas como PSA a produzirem com normalidade até esgotarem os subministros, reitera-se agora na segunda. Significativamente, no relato oficial e mediático, a atividade produtiva fica excluida da série de causas que possibilitam a expansom comunitária dos contágios.

4. É improvável umha saída iminente à crise sanitária sem a implementaçom de sistemas de rastejo massivos, medidas restritivas de aplicaçom imediata dirigidas aos focos de contágio e um forte investimento em sanidade pública e serviços sociais para contratar pessoal e material. Esta é a metodologia operativa nos Estados que dobregam a curva. No entanto, durante mais de umha década, a política sanitária de Núñez Feijóo na Junta foi a contrária: privatizar, reduzir camas e pessoal, deteriorar e externalizar serviços, etc. O anúncio farsa da contrataçom de 6.000 rastejadores e rastejadoras que jamais existírom é o corolário desta gestom miserável. Mas, repetimos, à espera da vacina como única soluçom, as Administraçons parecem apostar mais na aplicaçom de medidas parciais e no submetimento da populaçom a um ensaio permanente do que em ativar o sector público para reforçar o sistema sanitário e combater com eficiência a pandemia.

5. Da atual crise sindémica os movimentos populares podem tirar duas liçons para o futuro. Umha, se calhar fulcral, é que um horizonte coletivo viável em termos biológicos e socialmente justos passa por relocalizar, diversificar e potencializar a produçom nacional, minimizar a dependência dos subministros externos, fomentar a soberania agrária e alimentar e reduzir qualitativamente o peso do sector terciário e, em particular, do sector turístico, na nossa economia. A política da Junta da CAG, como executora das políticas do Reino de Espanha, reitera o modelo falido anterior à crise que pretende que o futuro pivote sobre a continuidade da espoliaçom colonial dos recursos, o abaratamento da mão-de-obra galega e a turistificaçom. Que o Xacobeo seja a principal ilusom económica e de emprego da Junta perante a queda brutal do PIB nacional delata até que ponto estamos em mãos de autênticos irresponsáveis. Outra liçom também essencial é que, como se demonstrou na primeira vaga, a carência de soberania política situa-nos a mercê de terceiros e na indefensom mais absoluta. Veja-se a incapacidade da Administraçom autonómica, mesmo no caso de que quiger, para adotar decisons efetivas nesta crise.

6. O shock sicossocial e o empobrecimento generalizado derivados desta situaçom serám —já som— terreno abonado para políticas rumadas a reconfigurar o sistema económico e político, recurtar e reduzir direitos, assegurar umha posiçom de prevalência para a oligarquia espanhola como aconteceu em 2007 e ativar a irracionalidade e o fascismo. Rechaçamos que, mais umha vez, a maioria social pague as faturas da crise em curso e apostamos em construir as condiçons organizativas, sociais e políticas para evitar que cristalice a folha de rota da oligarquia.

7. Frente à perspectiva que já maneja o poder económico e financeiro para amarrar as taxas de benefício, com deterioraçom geral das condiçons de vida, recortes salariais, desemprego, precarizaçom, etc., a articulaçom a curto prazo dumha resposta defensiva global, que vaia além da sectorializaçom e isolamento dos contlitos, aparece como a única opçom solvente para enfrentar o que se anuncia. Por capacidade organizativa, presença social e combatividade, é inegável o papel e a responsabilidade do sindicalismo nacionalista nesta possível articulaçom de amplos sectores numha estratégia defensiva.

8. Esta crise pom a nu a necessidade de a sociedade galega dispor dum novo quadro jurídico-político que supere o atual e garanta plena capacidade de decisom política sobre a planificaçom económica, a soberania agroalimentar, as relaçons comerciais, o mercado laboral, a fiscalidade, a gestom de fronteiras e fluxos demográficos, etc. Num mundo onde o surgimento de pandemias globais desponta como problemática do futuro imediato, garantir a proteçom da saúde pública, com todo o que implica além da vertente estritamente sanitária, soma-se à bateria de argumentos que reforçam a reivindicaçom da independência nacional e a necessidade de a Galiza se constituir em Estado.

Na Terra, em 12 de novembro de 2020