Destino dos fundos Next Generation agravará o controle dos sectores estratégicos da economia por transnacionais e potencializará o tradicional rol colonial da Galiza

A aprovaçom do Real Decreto Ley 36/2020, que possibilitará a afluência ao Reino de Espanha de 140.000 milhons de euros dos fundos europeus Next Generation nos próximos 6 anos, dá luz verde a um financiamento massivo das transnacionais com cargo ao erário público, a socializaçom das perdas provocadas pola pandemia da COVID-19 e reforço do controle estratégico da economia polas transnacionais, atualizando, e agravando, o status colonial da Galiza. Causa Galiza quer compartilhar as seguintes avaliaçons a respeito do processo em curso:

1. Estamos perante umha reconfiguraçom a grande escala do capitalismo na UE, que obedece às necessidades empresariais de refrotamento da produtividade e o crescimento no tempo pós COVID-19, a digitalizaçom da economia e a transiçom energética. Este projeto envolve-se numha fictícia retórica verde e social, que aproveita para se implementar o cenário crítico que segue ao fim da pandemia, o estagnamento da mobilizaçom popular e sindical, e a fraqueza ideológica e organizativa da esquerda no continente.

2. Os destinatários prioritários dos fundos Next Generation UE serám, como é imaginável, ao se perpetuar com modificaçons transitórias a lógica económica pre-existente, as transnacionais e, no Reino de Espanha, o IBEX 35, com firmas como ACS, Inditex, Endesa, Agbar, Naturgy, etc., a concorrerem por umha bica de 140.000 milhons. O entusiasmo exprimido pola CEOE face o projeto é eloquente a respeito de quem serám os principais beneficiários. Estes empórios som os únicos que, com o assessoramento das consultoras Big Four, podem apresentar projetos de dimensom equiparável ao financiamento sugerido. A marginalizaçom das pemes e de outros espaços da economia produtiva e a inexistência de mecanismos de redistribuiçom territorial no RDL conformam a outra cara da moeda.

3. A colaboraçom público-privada que impregna o despregamento dos fundos Next Generation garantirá o carácter privado dos benefícios e a socializaçom das eventuais perdas, assim como umha privatizaçom encuberta, ainda maior, de sectores estratégicos como o transporte, a água e a energia, com a cobertura retórica do Green New Deal europeu. Um organismo tam pouco suspeito de crítica à ortodoxia ultraliberal da UE como o Tribunal Europeu de Contas já riscava esta colaboraçom de fonte de "deficiências generalizadas e benefícios limitados" no seu informe anual de 2018.

4. Desconhecem-se até ao momento as consequências sociais do histórico financiamento massivo através de empréstimos e entregas a fundo perdido, mas sabendo da permanência da lógica ultraliberal da UE e os projetos expostos pola CEOE nos últimos tempos, é difícil nom intuir que os paganinis da operaçom seremos as classes populares, com reduçons da massa salarial global tam históricas como a injeçom financeira proposta, com a deterioraçom e precarizaçom das condiçons laborais, as pensons e os serviços sociais, e com a perpetuaçom das reformas laborais impostas no passado ou a implementaçom de outras novas. A retórica do Governo espanhol PSOE-UP, que anunciava que Nadie quedará atrás, esfarela-se perante as exigências do poder económico.

5. A proposta de investimento dos fundos Next Generation na Galiza que a administraçom autonómica dirigiu ao Executivo espanhol em 2020, solicitando a sua aprovaçom, reproduz a lógica tradicional da articulaçom da economia nacional por volta de um feixe de transnacionais que controlam os sectores estratégicos. Assim, os quatro "projetos tratores" da Junta para a Galiza pós COVID-19, que beneficiarám Finsa, ENCE, Inditex, Reganosa, Coren, etc., ligam-se à espoliaçom elétrica do país —agora, com energias verdes como biogás, hidrogénio, multiplicaçom da potência eólica instalada e concurso de contratos, etc.— e à multiplicaçom da superfície florestal dedicada à plantaçom de espécies de crescimento rápido que fornecerám de matéria prima a fábrica de viscosa de Inditex.

6. É de destacar que a aprovaçom do Real Decreto Ley 36/2020 se materializa graças a Vox, que possibilita com a sua abstençom que o Governo espanhol de coligaçom PSOE-UP saque adiante o projeto. A formaçom fascista fundamenta a sua posiçom na necessidade de "ajudar as famílias", referindo-se, provavelmente, às que articulam a oligarquia espanhola. Segundo informa o diário económico La Información em 29 de janeiro, a pressom da CEOE foi decisiva para lograr esta luz verde. Duas conclusons fam-se evidentes: a primeira é que o projeto está desenhado à medida da CEOE, que é a grande benificiária da injeçom massiva de dinheiro público. A segunda é que as políticas de cordom sanitário frente ao fascismo do Governo espanhol som inexistentes, pois aprova projetos económicos estratégicos em aliança com a extrema direita.

7. Somos abertamente céticas a respeito da possibilidade de que os fundos europeus revirtam na melhora significativa das condiçons de vida e de trabalho das classes populares e numha articulaçom económica do País em chaves distintas das tradicionais. A UE, o Governo espanhol e a sua terminal autonómica, com a participaçom imprescindível dos partidos espanhóis, som historicamente corresponsáveis dum cenário de pauperizaçom que nom alterarám entregas massivas de dinheiro a fundo perdido a um feixe de transnacionais. Desta ótica, Causa Galiza acha que só a auto-organizaçom social, a mobilizaçom, a articulaçom de formas embrionárias de poder popular e o emprego dos limitados resortes institucionais existentes, com a perspectiva da constituiçom dum Estado próprio, podem modificar a meio e longo prazo a ruina socioeconómica à que nos condena o atual status de comunidade autónoma espanhola.

Na Terra, em 1 de fevereiro de 2020
Comité Executivo de Causa Galiza