Causa Galiza denuncia persecuçom do poder judicial espanhol com o objetivo de encarcerar patriotas galegos e ilegalizar o independentismo

Perante a decisom notificada ontem pola Audiencia Nacional, no sentido de que a Fiscalía interporá recurso no Tribunal Supremo contra a sentença absolutória ditada no juízo da Operación Jaro, Causa Galiza quer partilhar com a sociedade galega e, em especial, com os agentes sociais, sindicais e políticos que participárom e participam da solidariedade frente ao atual processo repressivo, as seguintes reflexons de urgência:

1. O anúncio da Fiscalía é umha decisom política, que de nenhum jeito se pode considerar "protocolária", "burocrática" ou "técnica", pois questiona politicamente a sentença absolutória ditada no seu dia polo tribunal de exceçom contra 12 independentistas e as suas organizaçons. Que, num marco de inexistência de separaçom real de poderes, um órgão judicial que responde às diretrizes do Executivo espanhol de coligaçom PSOE-UP adote esta decisom é um facto que merece ser analisado com detençom pola sociedade galega.

2. Devemos dizer com absoluta claridade que o recurso anunciado pretende esgotar todas as vias legais para lograr o encarceramento final de independentistas galeg@s e ilegalizar as organizaçons que desde 2015 fôrom colocadas no centro da diana policial, mediática e judicial e submetidas a um prolongado teste de resistência à repressom. O recurso procura, pois, impor umha sorte de soluçom final ao independentismo galego organizado em plena sintonia com as teses que a Guardia Civil defende, pública e explicitamente, como mínimo, desde a Operación Castiñeira de 2005 e instaurar um precedente jurídico que, por via penal, torne extremamente difícil ou arriscado qualquer futuro processo de reorganizaçom sobre a terra queimada das ilegalizaçons.

3. Interpretamos esta decisom da Fiscalía que, inusualmente, enfrenta umha sentença absolutória ditada sem votos particulares em contra, como a manifestaçom política de sectores do poder judicial e policial que depois de mais de 5 anos de processo repressivo, criminalizaçom e imposiçom dum extenso limbo penal, político e pessoal, vírom fracassar as suas expetativas e ainda presionam para materializar o binómio encarceramentos e ilegalizaçons. Estes sectores esgotarám todas as possibilidades para lograr o seu objetivo político. O recurso delata, mais umha vez, a natureza neofranquista que habita em importantes centros neurálgicos do Estado espanhol.

4. Estamos cientes de que a sentença absolutória ditada no seu dia, embora ser fruto dum cálculo político e, portanto, inexplicável em termos ingenuamente jurídicos, ou a partir da inconsistência provatória da montagem, caiu como jerro de água fria sobre a Guardia Civil, as façons da extrema direita parlamentar e meios servis como La Voz de Galicia, que durante cinco anos e, incluso, às portas do juízo, davam cobertura ao relato policial. Este recurso é a reaçom vingativa ao desprestígio sofrido e a uns níveis de mobilizaçom solidária que, embora serem minoritários, sobardárom todas as previsons e evidenciárom umha vaga de simpatia inimaginável para o instituto armado espanhol quando ativou o operativo. Hoje, podemos afirmar, metaforicamente, que com a Operación Jaro à Guardia Civil saiu-lhe o tiro pola coronha: provocárom dor e enfraquecimento organizativo, mas expandírom as simpatias face o independentismo.

5. Do mesmo modo que, no seu dia, antes do juízo, qualificamos a Audiencia Nacional como um tribunal político de exceçom sucessor do TOP fascista e carente das mais mínimas garantias jurídicas, fazemos umha valorizaçom similar do Tribunal Supremo, onde hoje se refugia umha parte nuclear do neofranquismo judicial que a Transición espanhola protegeu de qualquer influência democratizadora. Este é o órgão político-judicial o que a Fiscalía da Audiencia Nacional entrega agora a vida de 12 independentistas e o status legal das organizaçons processadas.

6. Seja qual for a decisom final do tribunal espanhol, anunciamos que seguiremos a defender a necessidade estratégica dum processo unilateral de ruptura da Galiza com o Reino de Espanha que nos leve à constituiçom do nosso próprio Estado. Este é o único "delito" que assumimos publicamente ter perpetrado, que seguiremos a perpetrar e que, aliás, animamos ativamente a cometer a esses sectores populares em ascenso que, dia após dia, se fam conscientes de que a única opçom de futuro para este País é alcançar a independência nacional.

7. Fomos afortunadas e afortunados ao sermos o alvo dumha das vagas de solidariedade política mais significativas dos últimos anos em casos de repressom. Agradecendo ao nosso povo este arroupamento e calor, solicitamos, ainda, mais um passo adiante: a denúncia ativa e pública da última reviravolta do processo repressivo e a permanência em estado de alerta frente aos acontecimentos e respostas que se devam implementar. Se bem o regime político e o Estado instaurados na Galiza nom podem ser riscados de democráticos, tampouco podemos aceitar o encarceramento impune de patriotas galegas e galegos e, menos ainda, a persecuçom e criminalizaçom do projeto politico independentista.

Viva Galiza ceive!
Viva a solidariedade política frente à repressom!
Liberdade patriotas galegas e galegos!

Na Terra, em 2 de fevereiro de 2021