Causa Galiza valoriza com luzes e sombras a celebraçom conjunta do Dia da Pátria em 2015

    A Mesa Nacional de Causa Galiza valoriza publicamente com este comunicado o processo que levou à recente celebraçom conjunta do dia nacional por parte dum amplo espectro de organizaçons políticas, sindicais, sociais e individualidades, assim como da convocatória, a mobilizaçom e a resposta popular dada:

 1º Valorizamos positivamente a pontual unidade de açom alcançada neste 25-J por distintos setores e sensibilidades do campo nacionalista galego e correspondida polo nosso povo com umha assistência à mobilizaçom que se pode riscar de “histórica”. É este um caminho –a unidade de açom- no que afondar dia após dia em defesa da naçom além de convocatórias e atos pontuais ou litúrgicos. Este foi em parte o nosso objetivo quando em 30 de maio lançamos por segundo ano consecutivo a proposta dumha mobilizaçom nacional única no Dia da Pátria sob parámetros de rutura democrática com o pós franquismo e reivindicaçom da soberania e a independência nacionais.

 2º Lamentamos que o formato final do Dia da Pátria se limitasse a encenar um amplo ato de afirmaçom nacional que evitou conscientemente explicitar a estratégia e objetivos políticos para viabilizar a naçom. Este silêncio é ainda mais eloquente hoje, com umha perspetiva de reforma constitucional espanhola à vista, com umha estendida consciência nas bases nacionalistas e independentistas de que a imaginária via estatutária está esgotada e com a crescente conviçom de que a única saída ao nosso projeto nacional é a independência e a constituiçom do nosso Estado. Neste sentido, foi eloquente a negativa dos líderes do grupo promotor do manifesto Pola Unidade, que encabeçou o ato, a incluir na declaraçom final a reivindicaçom dum direito democrático elementar como é o direito de autodeterminaçom, ou a colocaçom à frente da mobilizaçom de setores retardatários que acreditam nos espelhismos do constitucionalismo espanhol, velam o esgotamento do ciclo autonómico e persistem apesar das evidências numha perspetiva reformista de entendimento com o Estado.

 3º Este formato de unitarismo váquo e o protagonismo político e mediático cedido a setores cuja reflexom estratégica caminha reçagada da dos setores nacionalistas e independentistas mais dinámicos é inexplicável sem a interferência de processos e objetivos eleitoralistas na celebraçom do Dia da Pátria à que se emprestárom as principais forças convocantes da mobilizaçom. Nesta mesma direçom jogárom as reticências ainda presentes em certos setores nacionalistas que, de facto, mantenhem posiçons quintanistas que procuram o inviável “encaixe cómodo” da Galiza no Estado espanhol e se negam a assumir que a única perspetiva possível para a maioria social é a rutura e a construçom do nosso próprio processo independentista como acontece hoje em outras naçons sem Estado da nossa contorna geopolítica.

 4º Valorizamos por último positivamente a intensa campanha desenvolvida Pola rutura democrática. Pola independência nacional, que operou simultaneamente em 16 comarcas do país ao longo de julho, com colagens, murais, palestras, pintagens, etc., assim como a assistência de entre 300 a 400 pessoas a um “bloco independentista” construido sobre a consciência plena de que o nosso projeto nacional carece de encaixe legal no atual quadro jurídico-político e de que a melhora qualitativa das condiçons de vida e de trabalho da maioria social galega apenas é fatível através da independência e dumha dinámica prévia de auto-organizaçom popular, empoderamento nacional e conflito com o Estado que nega as nossas liberdades e direitos.

 

Na Terra, em 1 de agosto de 2015

D.M. Q. E.